Frank Totino e Keith Johnstone

Já estou aqui no Canadá, em pleno verão super calorento (durante o dia) de 24 graus. Uau! Você acharia incrivelmente quente também se soubesse que aqui, durante o inverno, tudo fica congelado durante meses. Que o chão congela até dois metros abaixo de seu nível. Que o rio inteiro congela. Aqui as janelas – quase que 100% delas – não abrem. São feitas para isolar termicamente as casas e, portanto, não tem a função de refrescar os espaços.

Os primeiros dias são sempre de adaptação: ao clima, a comida, ao fuso, as pessoas, ao fato de falar e escutar inglês o tempo todo, ao fato de estar longe de casa. Todas as aclimatações necessárias para continuar por essa experiência incrível. Propaganda necessária para o governo de Calgary: a cidade é linda, muito verde (Curitiba não é verde, eu juro e tenho fotos para provar), muito organizada e as pessoas tem sido incríveis.

E o workshop, você me pergunta.

Jorge Rueda, Marcio Ballas e Daniel Nascimento em frente ao ônibus saído do episódio dos Simpsons

O workshop começou ontem, dentro do novo teatro do Loose Moose. Tem um ônibus amarelo, clássico de filme americano de high school, que nos leva todos os dias do nosso dormitório até o teatro e depois de volta ao dormitório. Chegamos por volta de 11 da manhã, estudamos até 1h30, paramos para o almoço, para depois retornar e só sair às 17h30. O dia passa muito rápido e, quando você vê, lá esta o nosso mestre Keith Johnstone, com seu inglês bem pronunciado e de voz baixa, olhando para o relógio e dizendo que já é hora de partir.

Os enfoques desses dois primeiros dias de workshop já foram múltiplos, mas o que eu já quero deixar registrado aqui é o “Kama Sutra de parceiro de Cena”. Por muitos ângulos vimos as possibilidades e variações de como deixar o seu companheiro de cena confortável e feliz em estar em cena com você. Importante salientar: para o benefício da platéia, e não apenas do seu colega.

Parece até pouco, mas não é. Garantir o bem estar de seu colega é garantir o bem estar da platéia. A frase mágica do nosso mestre (uma das muitas, o homem solta pérolas o tempo todo) no primeiro dia de aula: “eu gostaria que a platéia tivesse vontade de levar vocês para casa, ao final do espetáculo”. Na liberdade de não ter que fazer comédia, de não precisar ser engraçado o tempo todo, coisas maravilhosas acabam acontecendo.

Frank Totino com o sol das 22h nas costas

Se você já leu os livros de Keith Johnstone talvez não se surpreenda pelos exercícios. Mas você com certeza se surpreenderia com a metodologia, com a quantidade de coisas a mais que ele tem a oferecer, com as pequenas informações que vão ao longo do exercício se somando, com a qualidade das referências.

Agora são 7 e meia da noite (22h30 no Brasil) e tenho que me arrumar. O sol ainda esta alto, mas ele fica assim até 23h. Foi difícil me acostumar a isso no primeiro dia, ficava olhando pela janela para ver se era de verdade. Acho que tenho um comportamento similar quando encontro Keith Johnstone.

Querendo ver os outros artigos sobre essa viagem é só clicar AQUI.