Você não acha maravilhoso comer alguma coisa que os outros achem nojento? Talvez você não ache isso, caro leitor desavisado do conteúdo deste artigo. Se você é desses que tem nojo muito fácil desaconselho a continuar lendo este artigo – e de nunca abrir as páginas de política nos jornais sérios do nosso país.


nojoComer algo que outra pessoa não come é uma espécie de poder. É como se você estivesse numa turma a parte da sociedade, compartilhando um código só entre os seus. Pimenta, que não é algo nojento, é um bom exemplo para começar. Os comedores de pimentam se gabam da fraqueza dos temperinhos que nós, normais, usamos em nossa comida. Eles compartinham piscadas de canto de olho quando vêem um amador tentando comer uma pimenta forte e verte lágrimas de seu olho.

 

Eu sou um comedor de língua de boi, algo que é o cúmulo do nojento para muitas pessoas. Culpa da minha avó, que faz uma língua ao molho vermelho com ervilhas como ninguém. Para mim, sempre foi uma carne muito macia e gostosa e nada mais que isso. Para os outros, é como se estar comendo a língua do boi não fosse possível de desatrelar da imagem de estar mastigando a língua babada de um boi vivo. É isso que você também acha, leitor? Isso é muito ilógico, pra mim. É como se eu fosse pensar na galinha viva enquanto come ela, e isso seria bem ruim ao comer a sambiquira, não é?

 

(Conheço um caso real, de um amigo que não come galinha assada, porque está no formato de uma galinha quase viva. Se for um peito de frango ma chapa, sem problemas!)

 

Do boi eu também não tenho problema de comer bucho. Também o fígado acho delicioso, e pode ser o da galinha também. Uma comida que eu gosto bastante e que já perdeu bastante da má fama de "ui, que nojo" é peixe cru, mas mesmo assim tem gente que acha que é o mais próximo de uma experiência traumática.

 

É claro que tem coisas que eu acho nojento. Beterraba, por exemplo. Acho nojento. Pronto, falei! Sei o que você está pensando, neste momento meu confessional: o cara come língua, bucho e não come beterraba?! Não sei explicar. Isso vem daquela área ilógica do seu cérebro que cria as pequenas diferenças entre você e o resto do mundo ao seu redor.

 

Tem gente no mundo que come insetos. Tem gente que come miolos de macaco. Tem gente que come beterraba! O mundo está cheio de pessoas que tem hábitos nojentos para uns e normais para outros pares de olhos. Tomara que este preconceito alimentício não nos proiba de experimentar sabores diferentes daqueles aos quais estamos acostumados, e que possamos deixar nossos nojos de lado quando enfrentamos situações sociais que necessitam da nossa pose de embaixador. Falo isso e viajo mentalmente até aquele jantar na caso dos sogros, com a salada de beterraba me encarando.

Qual é o seu nojo incomum? Deixe o seu comentário aqui.

 

Aquele abraço