Eu lembro da primeira vez que assisti o filme Closer, no cinema. Foi impactante porque era muito focado na interpretação dos quatro atores, em vez dos efeitos especiais que estão lá para encobrir os buracos do roteiro (leia-se Transformers, e não O Senhor dos Anéis). Hoje, passando pela Cartoon pra pegar um filminho para reassistir com quem se ama, estava passando o filme. O final do filme. Lembrei na hora que a música de Damien Rice tinha sido o segundo grande impacto do filme.

 

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 Estou na locadora, o cara no balcão passa os meus vídeos explicando os procedimentos para a nova atendente. "Aqui, você vê se tem crédito", "ali a data da devolução", "filme 24h devolvido antes ganha crédito", procedimentos básicos acontecem na minha frente enquanto Damien Rice vai me levando pela mão, de novo, por todas as coisas que passei assistindo o filme. Músicas tem este efeito fantástico, coisa que muitas vezes o teatro não tem (não é a toa que tem um monte de ator que tenta a carreia de músico).

 

Na pergunta final, momento agora clássico da geração preservação da natureza, o atendente me pergunta: quer uma sacolinha? Respondo (acho) quase que na mesma hora:

 

– A única coisa que eu queria é que a Ana Carolina nunca tivesse gravado essa música em português.

 

Normalmente estou cercado de fãs incondicionáis da musa panderista esticadora de notas, mas o pessoal da locadora (poxa, será que foi um fenômeno "o cliente sempre tem razão?) super concordou com o comentário. A primeira vez que escutei "É isso aííííííííííííííííííííí", era como se uma música viesse para me levar para um filme distorcido onde a Natalie Portman fosse interpretada pela Mara Maravilha depois que ela descobriu Jesus.

 

Essa é uma grande tristeza musical que eu tenho: The Blower's Daughter na versão da Whitney Houston Tupiniquim.

 

Aquele Abraço