Certas coisas são para acontecer, de um jeito ou de outro. Não adianta desviar quando o “bom destino” está vindo em sua direção. Acredito, de coração, de que tudo que possa acontecer de ruim na sua vida você pode evitar, mas de certas coisas boas não tem jeito.

Era dezembro de 2010 ainda quando me contaram da Oficina com Omar Medina e Jose Luis Saldaña, dois integrantes do grupo de improviso mexicano Complot/Escena, que seria no início do ano, em Belo Horizonte. Mas, infelizmente, as datas batiam com as pequenas, esperadas e merecidas férias. Não seria este ano que poderei trabalhar com eles.

Entretanto, quando voltei de férias, descobri que teria a oportunidade de fazer o workshop deles em São Paulo, mais para o final de janeiro. Agradeço, especialmente, a minha amiga Lala Bradshaw (do portal IMPROVISANDO) pela indicação.

Lá fui eu começar o ano de impro com a primeira de muitas oficinas ministradas por estrangeiros deste ano. Essas oficinas terão vários objetivos em comum. O primeiro é o mais hedonista, vem da vontade de – simplesmente – estar em maior contato com a comunidade de improvisadores do mundo todo. O segundo é conhecer técnicas de improviso treinadas e apresentadas dentro de grupos que já fazem essa prática em cena (muitos professores de improviso no Brasil ensinam essa técnica com a perspectiva de usa-la dentro da sala de ensaio para a construção de personagem).

Conhecer Omar Medina e Jose Luis Saldaña já valeu a ida para São Paulo. Ambos são professores atenciosos e cuidadosos com seus alunos. Nossa oficina tinha pessoas dos mais diferentes backgrounds, desde profissionais de improviso, atores querendo conhecer novas técnicas e recém-chegados ao mundo do teatro (aqui fica um abraço para o professor Daniel, que durante três dias de curso nunca tirou a pochete para nada).

Os exercícios que se seguiram durante todo o workshop tinham alguns focos muito claros: clareza na hora de fazer imagens cênicas e corporais, desafio contínuo ao próprio ritmo de raciocínio, concentração em múltiplos focos em cena. Falando assim parece com “qualquer” outro workshop de improviso, mas o melhor de um workshop quase nunca é o que o professor passa para o aluno e, isso sim, o que o aluno leva para casa.

Um exercício do primeiro dia, particularmente revelador, consistia em um primeiro improvisador “desenhar” um espaço cênico, com o maior número de detalhes possíveis. O improvisador faria a sua cena ou apenas revelaria o que há no espaço, ficava a critério de quem criava o espaço. Na sequência, outros improvisadores do grupo entravam e interagiam com esse espaço demarcado no ar, dando tangência a alguns elementos ou a todos. O que se sucederam foram vários espaços diferentes e dinâmicas diferentes, sempre com los maestros fazendo correções interessantes sobre os objetivos das cenas e da amplitude de possibilidades.

Fui o desenhador do meu grupo e fiz um saloon de faroeste. Os improvisadores do meu grupo entenderam tudo o que desenhei (ufa!), mas foi interessante reparar, depois de já passado o exercício, de que todos os espaços desenhados eram em torno da área de atuação. Não desenhei nada que alterasse o caminho no meio da área, todos os locais e pessoas circulavam o espaço em que os improvisadores ficariam. Fiz um desenho de como seria a planta baixa do espaço desenhado.

Talvez falte um treinamento mais específico de mímica para que desafios espaciais entrem na área de atuação, sejam críveis e consigam ser mantidos durante todo o tempo de trabalho. De qualquer maneira, foi bom reparar que isso acontecia.

Foram três dias de workshop, com vários exercícios novos – e alguns antigos com diferentes ênfases. Posso dizer, com certeza, que numa próxima visita dos mexicanos ao Brasil, será mais do que necessário trazê-los para Curitiba (tanto o workshop quanto o espetáculo). Eles ainda tem um formato incrível de improvisação Cacth que mistura elementos de improviso com Luta Livre – um esporte de bastante visibilidade no Mexico. Vejo o vídeo de chamada deles abaixo.

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Para conhecer o site do grupo, clique AQUI.


Os formados no Workshop!

Os formados no Workshop!

Fim do workshop. Aqui esta a prova, pode clicar que aumenta (praticamente um atestado médico, já que faltei a um ensaio do Antropofocus™ para ir a São Paulo)