– Filha, vem cá.
– Sim, papai.
– Olha filha. Tá vendo isso aqui?
– Sim, tô.
– O que é isso?
– …
– Fala!
– A camiseta do meu ex-namorado, pai.
– E como ele deixou essa camiseta aqui?
– A gente tava namorando… Eu fiquei incomodada, e pedi pra ele sair… Ele nem pegou a camiseta, ficou puto e saiu.
– Filha, você viu que camiseta é essa?
– Sim, é da seleção.
– E você viu que tá assinada?
– Não, não vi. Eu fiquei tão assustada na hora que só joguei essa camiseta de canto.
– Filha, quero que você chame esse moço aqui em casa, hoje.
– Pai, não precisa brigar com ele, eu sei me defender, e não vou mais falar com esse…
– Brigar não! Eu quero escutar a história desta assinatura. Isso aqui é do tempo que a gente não perdia de sete a um! Tempos que não voltam mais.
– Mas pai… Ele foi grosseiro comigo.
– Pra qual time ele torce?
– … pro mesmo do senhor.
– Então ele não é má pessoa, é só porque nosso time tá numa fase, vai passar.
– Pai, eu não quero!
– Chame ele agora. Ô Jurema! Dá um jeito na sua filha, que ela ainda não entendeu quem manda aqui. E rápido com a minha janta!