Publicado originalmente em Projeto Secreto Bananas

Olavo nem bem aprendeu a andar e já tinha perdido o nome original para o apelido imortal: Olavinho. Foi pelo diminutivo que ficou conhecido por toda a vida acadêmica – dos dias do Jardim da Tia Matilda até o pós-doutorado em Matemática Aplicada.  O apelidinho, aliado a paixão por números, funcionou como repelente de mulheres por muito tempo.

– Mas você realmente não quer sair comigo? Achei que tinha 36% de chance de você aceitar, visto que você terminou um relacionamento recentemente com um homem fisicamente atraente.

A honestidade numérica rendeu a Olavinho um bom tapa na cara. Não foi só uma vez:

– Sim! Considerando o padrão de vida dos seres humanos, você esta velha.

– Sim! Pelas marcas na roupa e pelo diâmetro esférico geral, eu diria que você é gorda.

– Sim, a falta de simetria do seu corpo te deixa feia, mas não é só neste vestido.

O isolamento social era tamanho que, apesar de todas as precauções embasadas em pesquisas do Ministério da Saúde, Olavinho decidiu que precisava de ajuda profissional.

– Quanto que esta o programa?

A noite foi mágica. Parecia que o custo-benefício de não ter que se expor emocionalmente versus o retorno sexual por dinheiro valiam a pena para Olavinho. O único problema foi o financeiro. A bolsa de estudos não suportava os livros caros, o aluguel, o transporte, a Neuzinha Bate-Estaca, a Joana Pirulito, a Bel Prazer e o Xande Labro (um equívoco, a princípio, mas Olavinho não podia desperdiçar dinheiro).
A primeira tentativa de solução foi uma pesquisa de mercado. Olavinho abriu uma planilha gigante subdividida em regiões da cidade, cor de cabelo, idade, experiência profissional, DSTs conhecidas, DSTs prováveis e (o mais importante) custos. A economia não era muita, até porque o deslocamento até os novos lugares, um hotel mais caro ali, um suborno para a polícia aqui, deixava tudo mais complicado.
Até o dia em que um amigo de faculdade, também amaldiçoado com o diminutivo de Joãozinho, pediu uma dica sobre onde ele deveria procurar ajuda profissional. Foi aí que ele completou o pedido com o final de frase digno de uma epifania salvadora: eu até pagaria por essa informação. Olavinho nem pensou direito e já respondeu:

– Pagaria quanto?

Em menos de dois meses, estava no ar o site “Quanto Que Tá O Programa Ponto Com”, dando informações sobre custos e locais para a contratação de profissionais do sexo em quase todas as capitais do país e outros centros universitários.  Assim, Olavinho conseguiu terminar o seu mestrado e vive muito bem, fazendo pesquisa de campo para o seu próprio site.
Agora, em sua cobertura de frente para o mar, ele é conhecido no prédio como “Seu Olavo”, e vive feliz da vida. Em seu escritório, em uma das paredes há todos os certificados, diplomas e medalhas de campeonatos de xadrez ganhos na juventude. Do outro ficam vários acessórios sexuais que são vendidos pelo seu site (tanto o nacional quanto o internacional “How Much is The Show Dot Com), pois ele faz questões de testar todos antes de serem vendidos online. No final do ano ele vai para Las Vegas, para se casar. Levará todos os convidados em seu próprio jatinho, inclusive a família do seu amor, Xande Labro – a mãe, de Cianorte, no interior do Paraná, está levando um tempo para se acostumar com a ideia.