Viajar é sempre bom, mas fazer a primeira viagem internacional com o grupo é melhor ainda! É meio mágico saber que, próximos de completar 9 anos de existência, fizemos a nossa primeira apresentação internacional que foi – se tudo der certo (e tem dado!) – a primeira de muitas.

 

Coisas que devemos aprender com a experiência:

Passaporte é bom e o pessoal do aeroporto gosta!

 

Chegamos pra viajar, todos alegres e fagueiros (sentiu o uso dos adjetivos de outrora?).  Antes de sairmos de casa, ainda cobrei a Anne se ela estava com seus documentos. Documentos ok. Dinheiro ok. Bagagem ok. Vamos nessa!

 

Chegamos ao Afonso Penna quase que pontualmente – aquela chuva, como sempre. Vamos embarcar e lá vou eu, feliz e cheio de alegria fazer check in e o moço me olha e diz "RG por favor", ao qual replico "Tá aí na carteira de motorista", ao qual ele me replica "pra viajar tem que ter RG, carteira de motorista não vale", ao que eu replico "OPS!".

 

Pouco mais de uma hora para embarcar, sem carro – porque fomos de van, junto com o cenário e já tinha ido embora – eu e o nosso sonoplasta Célio Savi presos na mesma armadilha de achar que a ‘de motorista substituía tudo. E agora? Prejú no taxi.

 

Benza deus que achei num dos taxis branquinhos o Seu Maringá, que foi e voltou na minha casa em tempo recorde e ainda me deu um belo desconto. Chego lá e estou pronto para o embarque. E o Célio? Não achou a carteira dele, só vai embarcar amanhã. Ainda pagou mais que o dobro do que eu paguei em taxi.

 

 

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Depois de muita chuva e de descobrir que a Anne morre de medo de decolagem, aterrissagem, vôo e não gosta de aeroportos, chegamos em Córdoba. Quatro da matina. O festival foi super eficiente, tinha um motorista que estava nos esperando lá há mais de 3 horas, já vesgo de sono. Fomos pro hotel, quando começamos a gastar o nosso portunhol ma-ra-vi-lho-so. A viagem de avião foi curta, mas as esperas nos aeroportos não. Essa é a cara do povo no dia seguinte.

 

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Primeiro conflito lingüístico. A Anne vai pedir para falar com os meninos via telefone, no balcão de entrada do hotel. Ela pede para falar com o quarto 203. A moça não entende. Ela diz mais lentamente e com mais espanholzinação possível: Cuahhrtoh Dooocientos y Triês! A moça continua sem entender, ela se desespera e pede ajuda. É claro que a moça do balcão não entendia, porque os meninos estavam no quarto 403, nem tinha 203 no hotel.

 

Segundo conflito (e esqueçam que eu vou falar de todos eles). Vamos almoçar. Nos oferecem uma salada Cesar, que era basicamente alface, três cubos de frango e um pouco de queijo ralado. Comemos certos de que aquilo era a entrada e que viria um prato principal na sequência. A garçonete vem e diz "Postre?" e a nossa anja (pessoa que acompanha o grupo visitante, a Dolores) diz um "Si", ao qual todos nós replicamos "si, si si". Mal sabíamos que já era a sobremesa. Do outro lado da mesa, o Gugu-neném do Jairo olha pra mim, com uma tristeza no olhar, como se dissesse que já estava sentindo falta da comida da mamãe. Acho que nem foi o olhar dele que disse isso, foi o estômago. Alface – lechuga – virou sinônimo de passar fome no grupo.

 

 

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Ainda bem que eles acharam as tais empanadas para comer. A gente não sabe, até hoje, se aquelas realmente eram as melhores empanadas que existem em toda Córdoba, ou se a fome afetou sensivelmente nosso paladar!

 

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De noite, quando fomos sair para jantar, tivemos um momento para refletir sobre a qualidade do nosso espanhol, durante nosso primeiro dia na Argentina.

 

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Para jantar naquela noite – que medo de "lechuga" de novo – o pessoal do festival nos ensinou como chegar no restaurante a pé. Claro que, na hora, a gente entendeu tudo! Mas e pra chegar mesmo no restaurante? "Como era mesmo o nome do lugar?" "qual era o nome da rua?" "Se a gente falar pras pessoas "Restaurante Lechuga" elas vão entender?" Lá fomos nós e, com um pouco de paciência, acertamos a rua – que tinha nome de time de futebol, o que facilitou muito para a memória do Marcelo Rodrigues.

 

No meio do caminho, encontramos uma galera dos motoristas e cobradores de ônibus, protestando por melhores condições. É claro que a gente não podia perder a oportunidade de zoar com essa bagunça toda.

 

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E este foi só o primeiro dia!

 

Aquele abraço