(Este texto é um quase-plágio da esquete “Argument Clinic”, do Monty Python. Se quiser ver o original, o link esta AQUI.)

 

Homem entra num escritório. Uma mulher esta na mesa, e sorri ao ver o homem entrar.

Cliente – Oi, bom dia.

Secretária – Bom dia, senhor.

Cliente – Eu queria comprar uma Conversa sem Sentido, por favor.

Secretária – Pois não. O senhor gostaria que ela fosse completamente sem sentido, ou que ela tivesse momentos lógicos de tempos em tempos?

Cliente – Momentos com algum sentido, por favor. Eu sou um pouco novo nisso.

Secretária – Claro, eu entendo. O senhor pode me pagar, por favor? (o Cliente paga). Obrigado! Por favor, tente o senhor Bernardo. Sala 12.

O Cliente anda por um corredor e vê uma porta. Abre. Um homem esta lá dentro.

Cliente – Oi, com licença…

Homem – Ah, vá a merda, seu macumbeiro desgraçado!

Cliente – O quê?

Homem – Isso mesmo, aposto que você dá esse rabo por todo lugar!

Cliente – Ei, espera aí!

Homem – O que foi? Entrou nesta sala por cotas, foi? Seu monte de…

Cliente – Epa! Isso não pode estar certo.

Homem – Claro, porque gente da sua região do país nunca estão certos!

Cliente – Mas eu estou procurando uma Conversa sem Sentido!

Homem – (mudando de rosto) Ops, perdão senhor. O senhor esta procurando a sala do lado. Aqui é Intolerância.

Cliente – Ufa, ainda bem. Por um minuto…

Homem – É com o senhor Bernardo, na sala do lado…

Cliente – Muito obrigado. Com licença…

Homem – Claro, senhor a vontade. (O Cliente vai e fecha a porta). Retardado de uma…

Cliente vê a sala do lado e abre.

Cliente – Com licença, aqui é a sala doze?

Bernardo – (Num tom de voz um pouco mais alto que o necessário) Se você precisa perguntar é porque já esqueceu de tudo que foi feito antes neste país!

Cliente – O que?

Bernardo – Você não sabe os valores das coisas, seu prepotente.

Cliente – Mas eu só perguntei da sala.

Bernardo – Começa perguntando da sala, mas já coloca em jogo todas as outras decisões tomadas antes.

Cliente – Como assim?

Bernardo – (mudando para um tom mais suave) Desculpe, antes de continuar, só pra ter certeza: você quer que a Conversa sem Sentido seja comigo sendo conservador, ou você prefere ser conservador e eu ter um papel mais moderno?

Cliente – Ah, entendi! Eu gostaria de ser mais moderno.

Bernardo – (anotando em um papel na sua mesa) Perfeitamente, senhor. (Mudando de tom de voz) Você não sabe de nada, seu pirralho ridículo.

Cliente – (mudando de tom de voz, um pouco animado) Claro que sei, eu sabia desde a hora que entrei por aquela porta. Você não tem autoridade para saber o que eu sei.

Bernardo – Você é a prova viva que não há nada de novo e que estamos prestes a ter um país estragado pela geração de vocês.

Cliente – Não sou não!

Bernardo – É sim!

Cliente – Não sou não!

Bernardo – É sim!

Cliente – Não sou não!

Bernardo – É sim!

Cliente – Não sou não!

Bernardo – É sim!

Cliente – Péra aí. Isso não é falta de sentido. É só gritaria.

Bernardo – Não é não.

Cliente – É sim!

Bernardo – Não é não!

Cliente – É sim! Isso só virou uma gritaria, e não uma falta de sentido!

Bernardo – Espera. Se eu grito com você, quer dizer que eu não dou sentido ao que você fala. Portanto, eu tiro o sentido da nossa conversa.

Cliente – Não é isso.

Bernardo – É sim!

Cliente – Não é isso.

Bernardo – É sim!

Cliente – Não é não! Não é não! Isso é simplesmente gritaria.

Bernardo – Não é não. É uma tomada de oposição, que prova que nós não damos sentido a fala do outro.

Cliente – Não é não.

Bernardo – É sim! (campainha) Muito obrigado, passar bem.

Cliente – Como é?

Bernardo – Passar bem. Seu tempo já acabou.

Cliente – Mas eu estava só esquentando…

Bernardo – É uma pena, mas não podemos mais ter uma Conversa sem Sentido. Eu sou bastante cuidadoso em obedecer as regras estabelecidas.

Cliente – (com uma cara provocadora) Não é não!

Bernardo – (pausa) Senhor, desculpe, mas eu não posso. Se quiser, podemos escutar de verdade os argumentos de cada um e buscar uma síntese das nossas ideias. Um processo dialético comum.

Cliente – Mas isso não interessa. Eu queria uma Conversa sem Sentido.

Bernardo – Desculpe, mas eu vou preferir realmente ouvir o que você tem a dizer.

Cliente – Não vai não!

Bernardo – (pausa) Eu consigo perceber a sua provocação, senhor. Infelizmente, eu vou escutá-lo e realmente considerar sua opinião.

Cliente – Ah, que insuportável… Ok, eu pago mais um vez.

Bernardo – Muito obrigado, senhor.

Cliente – (Cliente paga) Ok, então vamos lá?

Bernardo – Vamos lá o quê?

Cliente – Vamos a Conversa sem Sentido?

Bernardo – Você é surdo? Só vou ter uma conversa sem sentido se você pagar!

Cliente – Mas já paguei!

Bernardo – Pagou nada!

Cliente – Paguei sim!

Bernardo – Pagou nada!

Cliente – Espera! Se eu não paguei, como é que você está com essa Conversa sem Sentido comigo? Ahá!

Bernardo – (olhar surpreso) Eu posso ter Conversas sem Sentido no meu tempo livre, especialmente com um imbecil sem consciência como você!

Cliente – Não pode não!

Bernardo – Posso sim!

Cliente – Não pode não!

Bernardo – Posso sim!

Cliente – Cara… Que demais! É tudo que eu sempre quis: falar sem ser ouvido, não importa o que eu diga. Eu nunca mais vou sair daqui, é muito legal! Como chama esse lugar de vocês?

Bernardo – Facebook.