Eu entre a passos lentos. Ela me olha nos olhos. Sorriu, de canto de boca, porque estou feliz em vê-la. Ela não sorri, mas tem os lábios com um batom recentemente retocado. Acho que ela fez isso pra mim.

Passo por ela, bem de perto, sinto seu perfume. Ela tosse, suavemente, como que preparando a garganta para falar. Estamos num espaço mínimo, onde tudo pode acontecer. Ela me olho de novo, não diretamente, mas através de uma das paredes espelhadas. Ela estava me esperando aqui.

Estou nervoso, ela sabe. Vejo sua mão direita subindo, unhas pintadas com delicadeza, correntinha no pulso e anel no mindinho. Ela mantém a visão em mim pelo reflexo, mas torce levemente o rosto para a esquerda, direcionando provocantemente sua boca em minha direção. Quase escuto o desgrudar dos lábios quando ela abre a boca e me fala, de maneira interrogativa:

– Qual andar?

– O sétimo.

Ela aperta exatamente o sétimo e mais nada. E assim o nosso romance continua.