Trouxe na mala nesta viagem uma graphic novel (a diferença entre uma graphic e um gibi é que o gibi é algo que você não se importará em esquecer – física e mentalmente). Comecei a ler no avião e achei que iria saborear suas histórias entrecortadas entre um espaço vago e outro, entre uma parada solitária no café da manhã e uma ida ao banheiro. Mal comecei a ler e me descobri completamente encantado por DAYTRIPPER, dos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Li tudo. Numa sentada. Com o cinto do avião preso no bucho, um japonês roncando na esquerda, e uma lembrança que me ocorreu antes de começar a leitura: assento de avião vai continuar a ser apertado mesmo depois d’eu perder 15 quilos,  duas pelancas e um braço.

Minto. Parei de ler umas duas vezes, descobrindo que quando a gente chora não dá pra continuar a ler.

DAYTRIPPER é uma graphic envolvente. Sua história narra a vida (as vidas!) de um escritor brasileiro, suas decisões e as várias possibilidades do que poderia acontecer na sua existência. Parece simples? Como toda a boa história, é simples. E te envolve. E foi feita para ser lida em letra e traço, mostrando que os gêmeos são feras nesta linguagem.

Cheguei no hotel e descobri que não sou o primeiro a achar o livro incrível. Prêmios para todos os lados. Justo, muito justo.

A dica deste sábado é DAYTRIPPER. Dá pra viajar acordado, quando se lê obras como esta.