Neste momento estou sentado em frente ao computador para escrever. Escrever qualquer coisa. Simplesmente sentado e escrevendo. Assim, acostumo meus dedos a procurarem as letras no teclado, acostumo meu cérebro a mandar comandos para as minhas mãos e colocarem palavras no “papel”. Treinar. Escrever é o misto das suas ideias e da sua pratica de escrever.
Fico imaginando aqueles que escreviam em tábuas de Gutemberg e que não tinham a nossa facilidade. Muita coisa ruim deve ter deixado de ser publicada pelo esforço. Ou será que, igualmente, coisas boas e ruins deixaram de ser escritas?
Porque escrever é um esforço. Físico porque usamos as mãos (ou polegares, dependendo do aparelho que você esta usando), mental porque estamos julgando nossas frases, controlando os erros de português, analisando as muitas vezes que uma maldita palavra aparece sublinhada por uma linha vermelha (ortografia) ou azul (concordância) – o maldito software apontando cada pequena falha que você fez -, o que faz da escrita uma forma de exercício completa.
E por que então continuamos a parar para escrever? Há vídeo, áudio é fácil de enviar, fotos e mêmes. Mesmo assim, continuamos escrevendo.
Há algo em transformar palavras em códigos visuais que nos fascinam. Destruímos a rítmica do falar e reconstruímos um jeito que alguém vê seu raciocínio. Nosso mundo super visual foi preparada por séculos de leituras, porque aprendemos o mundo através do que nossos olhos estão aptos a contemplar. Se agora estamos emburrecendo nosso olhar com informação vazia vinda da internet, nosso olhar já tinha adestrado pela burrice dos jornais com matérias pagas e pela televisão com conteúdo vazio.
Se escrever é um esforço, qualquer pessoa que escrever precisa ter quase certeza que seu esforço valeu a pena. Salário, elogios, curtidas, manter a sua própria biografia registrada, fazer um documento que irá manter as coisas em ordem, etc. Pensando nisso, o CTRL C CTRL V é um tapa na cara de quem se esforçava mesmo pra escrever. Pense naquele contínuo (obrigado Nelson Rodrigues por me ensinar tantas palavras) que tinha que copiar o documento perfeitamente tantas e tantas vezes. Aposto que quando o mimeógrafo chegou ele já achou que era trapaça. Quando a máquina de fotocópia chegou ele achou que era demais. Quando o computador chegou e que você podia editar documentos era além da conta. Mas quando o CTRL C CTRL V apareceu… Que raiva do suor derramado sobre o teclado!
Escrever precisa de tempo. Precisa de instrumento de trabalho. Precisa de um objetivo.

Tenho tempo, portanto posso.

Tenho computador, então está pronto.

Preciso que minhas ideias virem artigo, vídeo, peça, conto, livro didático, romance, carta. Não. Preciso é ruim. Não é o verbo certo. Quero. Quero que minhas ideias virem artigo, vídeo, peça, conto, livro didático, romance, carta, filme, bilhete em flores, dedicatória, notas, email simpático e email grosseiro. Então, estou pronto. Vamos começar.
PS – copiei as palavras sem o CTRL C CTRL V, em homenagem aos esforços de todos os contínuos aposentados do mundo.