Este texto poderia ser resumido a uma frase apenas, curta e sucinta, sem redundâncias: “Você não pode tudo! Admita isso e siga em frente!”
Mas escrever só isso é feio, né? Então vamos as redundâncias.

Todos nós temos uma série de limitações que nos incomodam. Podem ser físicas, mentais, financeiras, estéticas. Elas nos assombram, especialmente porque vemos pessoas ao nosso redor que não tem esta
limitação e pensamos sempre que seria muito bom ser aquela pessoa, que não é como eu e quem alfa, beta e gama de coisas diferentes de mim. Se eu pudesse cantar como Bobby McFerrin (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bobby_mcferrin), dançar como Nijinsky (http://pt.wikipedia.org/wiki/Nijinsky), interpretar como Meryl Streep (http://pt.wikipedia.org/wiki/Meryl_Streep), improvisar como Colin Mochrie (http://pt.wikipedia.org/wiki/Colin_Mochrie), eu seria um grande artista. Mas, infelizmente, estou fadado a cantar, dançar, interpretar e improvisar como eu mesmo.

O quanto isso me afeta negativamente?

Se a sua vida não tivesse limites, eu posso te dizer quem você seria. Você seria um(a) babaca. Tá duvidando? É só procurar saber o que qualquer filho de milionário andou fazendo de bobagens, ver que tipo de filho vem de uma educação onde absolutamente tudo que a criança faz é permitido, ver os vexames de pessoas que ficaram famosas rapidamente, da noite para o noite, causam só pra se manterem no foco da atenção. São exceções? Sempre me pareceram a regra. Pessoas que não sabem quais são os limites das suas ações consigo mesmo ou perante os outros tendem a ser nocivos para as pessoas ao seu redor.

Você tem limites? Todo mundo tem limites. Há uma alta probabilidade do Bobby McFerrin desejar dançar como o Nijinsky, já que um dos títulos de uma de suas músicas é “All feet can dance” (todos os pés podem
dançar).

Você não abre as pernas em 180 graus? Poucos fazem isso e não fará grande diferença na maioria dos personagens que você representaria no palco – você só perdeu uma piada, que é imitar o Jean Claude Van Damme.

Sua voz não é igual da Yma Sumac (http://pt.wikipedia.org/wiki/Yma_Sumac)? Quantos personagens você já fez que deram errado por causa da falta de alcance da sua voz? Você acha que vozes limitadas não atuam e não cantam? Preciso te apresentar Bob Dylan, Chico Buarque…

O ponto deste texto é: saiba quais são suas limitações e viva com elas. Elas não são você, elas constituem quem você se tornou. Se você acha que limitações de qualquer natureza podem ditar que tipo de vida
você terá, daí precisarei te apresentar o Stephen Hawking (http://pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Hawking).

A vontade de escrever um texto sobre isto veio por causa deste vídeo, do artista plástico Phil Hansen. Queria que todos os improvisadores do mundo assistissem e, como Phil, simplesmente aceitassem quem são e usassem isso como catalisador da sua arte.

PS – Todas as vezes que você pensar que você é um artista limitado, pense positivo: até o Adam Sandler virou um artista de sucesso!