É inicio de ano. Tem aquela renca de impostos, e o governo de olho no meu bolso. De olho em todos nós. De olhos pesados sobre todos nós. Esse olhar me incomoda. Muito

 

Na rua tem câmera pra saber se tou correndo, pra saber se tou parado, pra saber se ainda estou. Sabem onde eu moro, sabem onde me encontrar

 

No banco tem a vigilância eletrônica, no prédio tem a vigilância eletrônica, e o Google Earth permite a todo mundo saber como é o meu prédio.

 

Na farmácia, no caixa, consigo me ver na televisãozinha por trás. Dizem que câmeras colocam 10 quilos a mais em você. Talvez por isso sejamos campeões de consumo de inibidores de apetite.

 

Todoas mulheres anasaladas do mundo sabem o meu número de telefone e conhecem meu perfil de cliente. Verificam se eu posso ter crédito ou não em minutos. Se não tiver, te olham como se soubessem de alguma coisa.

 

Nas ruas os políticos com suas pranchetas sabem quem são as classes que vão votar em candidato A, B ou C. Eu nunca dei a minha opinião, mas eles já sabem qual vai ser a minha escolha. Será que descobriram, ou sou mesmo tão previsível assim?

 

Se todo mundo sabe quem eu sou, por que eu não sei?