Não pára! Não pára de jeito nenhum! Não pára!
Respira, respira, passada depois de passada. Respira.


Tá melhor do que esperava. Pensei que não ia nem passar da segunda mesa de água, mas olha eu aqui, quase no meio da prova. No meio. Mais um tanto assim igual a esse e acabou. Acabou. Acabou. Bom, acaba quando eu quiser. Eu posso parar, se quiser, eu posso…


Não! Não pára! Continua correndo! Você tem que correr! É um exercício de vontade, de superação. Corre! Passada após passada, vamos em frente. Vamos. Concentra. Lembra quando te contaram que o início era difícil e depois ia ficando mais fácil. Bom, agora você já sabe que é mentira! Mas isso não importa, não pára!


Pego a água. Pouco na boca e na cabeça, tira o sal. Ajuda a tirar o suor, só pra aliviar. Mas esse sol não alivia nada. Que calor. Eu quero um ventilador, duas cervejas geladas, alguma porção de algo não nutritivo que deixe de pé os cabelos de três gerações de nutricionistas! Que saco! Isso é horrível, torturante. Cadê a tal da endorfina? Eu só larguei as outras drogas porque me garantiram que correr produzia endorfina. Endorfina. EndorfinAAAA! Cadê você?


Calabocacorre! Calabocacorre! Calabocacorre!


Passei da metade. Passei? Passei? Passei. Daqui pra frente só partes menores do que eu já enfrentei. Só partes menores. Dividi-se o problema em partes, e equacionamos todos os pequenos problemas de forma a não errar na…


Não é hora de pensar em trabalho! Corre! Lá no fim, compensa. Tudo compensa. Tudo compensa. Corre. Pensa na passada, seus pés tocando o chão, são problemas menores. Pensa na passada. O importante é concluir e lembrar que tem alguém te esperando no final. Sempre tem alguém esperando com a faixa, aquela que a gente atravessa e depois acabou. Eu podia colocar duas pessoas na minha frente todos os dias, pra qualquer coisa e, quando terminasse, era só atravessar a faixa. O grito da galera. A compensação de todas as passadas. Todos os pequenos passos solucionaram o grande problema. Pronto. Tudo resolvido. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo, várias vezes seguidos, lembra o som de um telefone desligado na sua cara. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo.

Só cala a boca e corre!