Curitiba é minha cidade de adoção. Moro aqui desde 86 e adquiri todos os bons e maus costumes da cidade – e não vou listá-los para que o leitor decida quais são.

Ontem voltei de viagem e, no translado da rodoviária pra casa, percebi o quanto o curitibano sente-se trancafiado hoje em dia.

Cadê o ônibus? Não há ônibus e, quando há, o custo deles faz a gente pensar que não vale a pena usá-los. Afinal, suas passagens mais as da sua esposa já cobrem a gasolina e o estacionamento de se chegar a maioria dos lugares da cidade.

Fora que temos as famosas estações tubo. Lindas, né? Redondas, vidro. Um charme. Um charme caro. Um charme que vira um túnel de vento, Um charme que custa caro pra manter.

 

Meu carro novo, parcelado em mil vezes: A gasolina tá cara e, pra piorar, todas as ruas ficam engarrafadas sem nenhum motivo aparente.

Quer dizer, temos um motivo. Nosso governo apoia a venda de carros. Porque é bom pro país. Sabia? Pra ser bem bom pro país, eles até tiram um dos quintilhões (não sei se quintilhões é uma unidade válida, mas a sonoridade é representativa) de impostos embutidos, pra “só” ficar com os outros.

 

Bicicleta enferrujada: Você quer ir de bicicleta, até porque a sua resolução de ano novo é fazer mais exercício, certo? Mas estamos na cidade que chove o tempo todo, com ciclovias destruídas, com servido de locação de bicicletas ainda patinando, sem lugares pra estacionar. Fora o perigo de você pegar uma gripe e, contando com a sua sorte, talvez ela ainda possa ser a gripe A.

 

Não há taxis e, quando há, eles custam fortunas: Conseguir um taxi virou algo a ser compartilhado em rede social. Dá mais curtidas do que posar em foto com gatinho angorá vestido de telletubby. Antes era quando chovia, agora é qualquer horário. E vá fazer alguma coisa contra eles que você nunca mais recebe um taxi na sua porta

Taxista – O senhor que é o seu Macedo?

Passageiro – Sou eu mesmo, tudo bem?

Taxista – Pra onde?

Passageiro – Vamos pro Alto da XV, por favor.

Taxista – Ok. (Liga o carro e dá a partida). Algum ponto de referência?

Passageiro – Perto da igreja da Germano Mayer.

Taxista – Ok.

Passageiro – (depois de um silêncio constrangedor) Demorou pra chegar, né?

Taxista – O quê?

Passageiro – Você demorou pra chegar, estava te esperando um tempão ali em…

Taxista – (dá uma freada) Desce do carro.

Passageiro – Como assim?

Taxista – Desce agora, e saiba de uma coisa: você nunca mais vai pegar um taxi nesta cidade!

Passageiro – Mas eu só disse…

Taxista – Vai agora, antes que você nunca mais consiga pegar um ônibus também! (Passageiro desce, reclamando muito. O taxi vai embora) Alô, central? Coloca “Macedo”, do Bigorilho, na lista negra. Nunca mais pega taxi… Ah não ser pagamento em dinheiro numa segunda de madrugada.

 

Enfim, isso tudo pra dizer pra você, de fora e de dentro de Curitiba. Se um Curitibano deixar de ir ao seu encontro, se o seu amigo não aparecer no seu aniversário, se um show ou peça de teatro estiverem vazios, não se espante: é apenas que seu amigo esta na lista negra dos taxis da cidade. E quis pagar no cartão.

Para a piada ficar melhor, olha o que aparece no Google quando você digita "Curitiba cidade mais" e ele completa opções