Se você ainda não sabia pelo jornal, pela rádio, pela tevê, fique sabendo agora pelo nosso blog: os políticos brasileiros estavam usando de uma artimanha legal para impedir que veículos de grande mídia fizessem comédia, às custas deles, sob a pena de multa superior a duzentos-mir-e-lá-vai-pedrada.

 

Fala sério, seu político! A gente não pode fazer piada, nem uminha sequer? Vocês fazem piadas com a gente o tempo todo!

 

A decisão provocou alvoroço entre os comediantes. Primeiro pela censura inconstitucional destes senhores, um ato que nos remete a anos tristes da história do nosso país. Segundo, pela escassez de material cômico no mercado, de uma hora para a outra. Os políticos são o melhor material para a produção de piadas no mundo inteiro, muito acima das celebridades. Não tem muita graça ficar batendo nas bobagens que um ex-BBB fez ou deixou de fazer, até porque você está fazendo esta piada para alguém que sabe quem é esse ex-BBB e que gosta do programa. O político é outra coisa, pois parodiá-lo é apontar e gritar que o rei está nu.

 

A metáfora da realeza é bem aplicada, porque os nossos políticos se portam como membros de sangue azul, que merecem o nosso respeito pelo simples fato de existirem. Integrantes de uma classe homogênea, acostumada com o bom e o melhor, pois “é assim que tem que ser” entre nós, que governamos os pequenos mortais. Pessoas que perderam a noção que seus ganhos são desproporcionais à realidade do país, e que se encontram, sem pesar, para aplicar “autoaumentos a si mesmos”, como se isso fosse a ordem do dia.

 

Não seria ético e descente que a lei do aumento salarial dos políticos fosse sempre por plebiscito? Enquanto representantes do nosso Estado, eles podem votar em toda e qualquer matéria, menos nessa. Já imaginou se pedissem para você mesmo decidir se você quer ganhar mais, menos ou igual ao que você está ganhando?

 

Segue em anexo um exemplo de um político – ou mesmo de um blogueiro – pensando:

 

– Hum, deixe-me pensar um pouco… Talvez eu queira um aumento de salário… Puxa, uma decisão difícil essa, né? Tem os prós, os contras e tem as contas… Olha, eu pensei muito. Pensei, pensei e pensei e acho que eu mereço mesmo ganhar mais!

 

Oh, mas nobres colegas desta corte: aqui tergiverso sobre outras auguras da vida e deixo passar a censura. Retornemos, pois.

 

O humor ameaça alguma campanha política? Os teóricos antropólogos dizem que sim, que o riso é uma característica humana de raciocínio e suscita o vislumbre dos defeitos do outro. Pobre do candidato que seja pego tendo um defeito! Os marqueteiros morrem nessas horas. Tantos meses polindo, escovando, engraxando seus candidatos para que eles possam agora mostrar seus recém-adquiridos cabelos, sorrisos, paletós, brincos, etc.

 

Um ponto levantado, especulando-se sobre qual era o motivo por trás desta lei, foi que os atuais programas de humor têm bastante entrada no mundo jovem, portanto teriam grande influência neste grupo de eleitores. Quem disse isso? Creio que foram os integrantes destes programas de humor.

 

A lei caiu, há uma semana. Os programas de humor voltaram a fazer seus quadros e nenhuma pesquisa acusou que, por causa disso, gráficos fizeram curvas espetaculares. Até porque nenhuma sátira é tão afrontosa ao nosso raciocínio e mostra tanto os defeitos dos candidatos do que o próprio Horário Eleitoral Gratuito. Gente, se você só viu o vídeo famoso do Tiririca, preste atenção aos vários outros palhaços que temos passando na televisão. Depois lembre que eles vão decidir se devem ou não aumentar o próprio salário todos os anos.

 

E aí? Tá achando engraçado?

 

PS – Num momento de pesquisa em artigos recentes, descobri que já tinha falado da falta de humor dos políticos este ano. Foi quando um nobre vereador resolveu deixar de fazer coisas importantes e decidiu atacar um colega meu, aqui mesmo, em Curitiba. O link para este artigo é http://www.antropofocus.com.br/coluna.php?cod_art=1661