Ontem, chego em casa, tomo um banho pra tirar a canseira do dia e pra preparar o sono da noite. Naquele momento pré-sono decido zapear os canais de tevê para ver se tem alguma coisa que faça valer a pena ficar acordado mais um pouquinho.

 

Zap: uma propaganda dos "abdominaizers", prometendo a todos os gordinhos um abdômen de tanquinho;

 

Zap: propagandas de jóias, que prometem te deixar mais bonita;

 

Zap: propaganda de… Sei lá, esqueci;

 

Zap: o final de um Big Brother.

 

Aí eu parei. Porque vi uma loira chorando, se despedindo, e lembrei de informações que passaram na frente dos meus olhos durante as 24h anteriores. Na verdade, foram duas apenas. Num dos zaps de segunda, passei pelo mesmo Big Brother e vi que era a disputa entre a loira e um menino semi-gay.

 

(Aqui abrimos um primeiro parênteses. O que é um semi-gay? É um formato masculinos que foi afetado pela moda e que, ao assumir estes padrões e ao tentar manter padrões de outrora, torna-se uma figura mista, que trás características de ambas as tribos, não necessariamente de forma homogênea.)

 

Então sabia que a menina tinha perdido na disputa pro semi-gay. Também lembrei que na terça a tarde, quando fui no mercado, vi na capa de uma revista a foto do semi-gay e da menina-travesti, dizendo que seriam os campeões porque isso fora visto nas cartas. Eu sei em quais cartas que foi visto este futuro. Nas cartas trocadas entre os produtores da Globo!

 

(Mais um parênteses. A menina-travesti é uma garota que colocou tanto silicone no corpo que parece que só virou mulher graças a intervenção cirúrgica. Outra coisa que vale a pena mencionar: fila de supermercado não é uma benção para você ficar sabendo de coisas inúteis? Ontem eu soube que faz 2 anos que a Vera Fischer não transa, que a Suzana Vieira reencontrou a felicidade e que o filho da Angélica com o Lucino Hulk fez quatro anos.)

 

Isso tudo pra chegar no que eu queria dizer aqui, tanto é que coloquei no nome do artigo. A loira desclassificada estava de saida, quando zapeei no canal. Neste momento, a menina-travesti chega pra ela e diz a seguinte frase:

 

– Lembra de tudo que eu te disse. A tua vida começa agora!

 

Aquilo foi um choque pra mim. Em algum canto do cérebro, onde mora a minha lógica, existia uma esperança de que estivessem falando de algum problema que a loira tinha, antes de entrar no programa, e de como ela se comportaria daqui pra frente. Mas a sensação que me deu foi que a frase, dita como profecia siliconada, queria realmente dizer que agora que a pessoa era famosa, graças a participação no programete, agora a vida dela iria começar.

 

Se a sua vida precisa de fama pra começar, isso significa que você já morreu faz tempo.

 

Agora, se me dão licença, eu preciso do telefone da Vera Fischer.