A discussão desta semana que mais esteve presente nas redes sociais foi a questão com o humorista Rafinha Bastos. No dia 26 de setembro ele fez um comentário sobre a cantora Wanessa Camargo, logo após assistir um vídeo com ela, Marcelo Tas diz “(…) Que bunitinha esta a Wanessa Camargo (…) Grávida (…)”, ao qual Rafinha replica com a frase notória: comeria ela e o bebê – não tô nem aí.

O desenlace depois disso é longo. Ronaldo Nazário (antigamente “Fenômeno”), representante de vários acordos de patrocínio com a Band, se mordeu pelo marido de Wanessa. A frase, uma piada de moleques, ganhou status imediato de apologia a pedofilia e rodou o país dentro da internet. Rafinha Bastos foi afastado do programa CQC e fim de papo. Fim?

Várias pessoas acham que esta ação punitiva deve-se a Rafinha Bastos ter passado da medida e ter ofendido a instituição maternal mais uma vez, já que não faz muito ele (junto com Marcelo Tas) ofenderam as mães que amamentam em público.

Outras ainda acham que é porque o humorista deu realmente a entender que faz apologia a pedofilia.

Na verdade, este é mais um momento onde nos encontramos sob a censura do patrocinador, onde vemos que um programa que teria “liberdade Custe o que Custar” não conseguirá custear seus atos sem o apoio financeiro de entidades que tem interesses pessoais e que querem estes garantidos e bem tratados pelo programa. Por que a Claro não se ofendeu quando Rafinha Bastos e Marcelo Tas falaram de amamentação em público? Porque a visibilidade do programa continuava interessando. Porque não foi diretamente ofensivo a algum conhecido, e sim com um público amorfo. Porque não foi com a mulher do chefe.

Brincadeira tem limite, e este limite é da mão que te alimenta. Isto é um lembrete geral para você sempre observar de quem são os anúncios no jornal que você lê, no programa que você assiste. Você não vê o editorial decidido exclusivamente por um jornalista bem intencionado e um diretor de programação. Alguém da mala de dinheiro viu isto também, para saber se esta opinião a ele interessa.

Nenhum dos artigos em defesa ao Rafinha Bastos diz que a piada dele é boa. Não é. Os artigos são contra uma censura que aparece em momentos tão pequenos, e nunca quando o problema é realmente sério. É só ver as outras notícias do dia 27 de setembro e pensar realmente na “gravidade” do que foi falado neste programa de entretenimento.

A frase é infeliz, mas não é pedófila. A censura por este caso isolado é muito infeliz.

Não defendemos o direito a se falar o que se quiser. Defendemos que quem defina isso não seja o patrocinador, para que nossas opiniões não sejam cerceadas.

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