Cara, que Tamiflu foi esse que me atropelou? Poxa… Lenços de papel por todo lado, álcool gel no balcão. E essa coceira no nariz lazarenta que eu tou sentido, começa do lado esquerdo e corre de levinho pro meio do nariz, como se fosse um micro hamster correndo dentro da cartilagem e arranhando tudo, arranhando muito, de um jeito que eu não vou agüentar mais,l eu vou, eu vou, eu vou…

NÃO COCE!

Ufa! Passou. Tomei controle dos meus atos, acho eu. Ufa! Eu consegui. Não toquei o meu rosto. Deixei a janela aberta. Lavei as mãos. Evitei lugares tumultuados. E agora?

Agora é saber que o ápice da neura da gripe passou, tão rápido quanto veio, deixando para trás alguns "regalos" sociais.

O primeiro é o acréscimo do álcool gel na nossa dieta. Algo de que eu nunca ouvi falar antes da paranóia toda hoje pertence ao balcão do restaurante, ao corredor do shopping, fica com a moça da caixa registradora, tá no bolso do cobrador de ônibus. Tenho a sensação de que um elemento estranho penetrou na cultua diária e que ninguém percebeu o quanto é alienígena. Algo parecido quando as pizzas começaram a receber tomate seco e funghi. Para muitos havia a sensação de que eles sempre estiveram lá, mas muitos de nós estávamos conscientes da invasão territorial.

O outro são as aulas das escolas estendidas a outros horários extras, mas com especial sadismo as que ocorrem aos sábados. SÁBADOS! Especialmente para quem estuda de manhã (como eu estudava) o sábado era a redenção, o momento de ficar um pouco mais na cama. Era a continuação da glória da sexta à noite! Mas agora é a antítese disso, é a morte da hora extra de cama, a redução de 50% de um final de semana que já parecia muito pequeno. Um pequeno drama do estudante de 2009.

Será que outros elementos foram efetivamente acrescidos de nossa cultura? A minha principal dúvida na verdade é sobre a nossa higiene. Não é meio assustador que uma epidemia dessas nos faça enxergar claramente que ainda temos péssimos hábitos de higiene e que estes são os principais responsáveis por nossas doenças? Eu me lembro das aulas de história nas quais eu conseguia imaginar as capitais antigas do mundo com seus esgotos abertos no centro, com lixo na rua esperando a próxima chuva, com merda de vaca por todos os lados.

Agora me pego do outro lado da história, imaginando um menino no futuro, mais ou menos na era da família Jetson, olhando para nós e dizendo: sério que eles não lavavam as mãos sempre? Tinham aéreas de lixão onde as coisas só apodreciam sem serem reaproveitadas? Nossa, eles deveriam ter um monte de doenças estúpidas por causa disso.

Deixo aqui, então, registrado em bits para este menino do futuro, um pequeno bloguinho contanto que um dia a nossa higiene foi ruim o suficiente para que atraísse doenças estúpidas e que pizza de tomate seco não era coisa normal.

Termino aqui o artigo, porque a coceira no nariz voltou. O rosto é meu, vou coçar, mas prometo lavar as mãos antes de escrever de novo pra vocês.